sexta-feira, 27 de março de 2026

O Bom Perfume

     O dia estava tão bonito!
     Aquele friozinho gostoso das manhãs de junho e a luz leve do sol na vegetação tão verde, trazendo aquele bem-estar. 
     Mas ainda me sentia entristecida, por isso resolvi caminhar sem compromisso, tentando colocar a cabeça e o coração em ordem. Na verdade buscava uma certa paz de espírito, pois andava me sentindo confusa com algumas coisas.
     Fui caminhando, sentindo o vento no rosto, tirando algumas coisas lá do íntimo e trazendo à presença do Pai, tentando chegar a algum acordo quanto a todas essas inquietações que me torturavam há alguns dias. O coração andava pesado, a mente desordenada...
     Foi quando senti um perfume!
     Já havia sentido um cheiro semelhante, mas aquele era ainda mais intenso e gostoso.
     Percebi que vinha de alguma planta ali ao redor, mas olhei e não vi espécie alguma que pudesse ser o que eu procurava.
     Pensei, de olhos fechados, com o nariz empinado e respirando fundo a cada nome que vinha na mente, nomes que eu ouvia meu avô falar...
     Jasmim?
     Dama-da-noite?
     Não! Esses cheiros eu conhecia bem! Dama-da-noite era o cheiro, na memória, da casa da minha bisavó.
     Gardênia! Sim... ou não!
     Manacá-de-cheiro?
     Madressilva?
     Nunca saberia.
     Continuei (per)seguindo o cheiro.
     Foi então que resolvi chegar perto de uma moita cheia de plantinhas diferentes.
     Senti o perfume de forma mais intensa e remexi. Foi quando encontrei um raminho... UM RAMINHO com uma pequenina flor, escondida no meio daquela moita. E era daquele raminho que vinha aquele perfume maravilhoso e intenso.
     Meu Pai, de novo, se comunicava de forma tão bonita comigo... era um raminho, era uma flor pequenina e escondida, mas tinha um perfume que conseguia chamar a atenção de quem passava distraído por ali.
     Me retraí na minha pequenez, mas inundada por uma paz e um aconchego sem fim!
     Naquele momento, mais uma vez, entendi que não era preciso grandeza, magnitude. Naquele momento percebi que bastava exalar o bom perfume de Cristo...
     Nunca saberei o nome da flor, mas daquele perfume nunca vou me esquecer!

"Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo..." 
(2 Coríntios 2:15a)

quinta-feira, 12 de março de 2026

Ainda sobre nomes e apelidos

          Aliás, esse negócio de batizar com um nome e chamar por outro me fez lembrar outra história...

     Eu era pequena, mas me lembro bem. Tínhamos uma não sei se faxineira ou empregada na época, a D. Maria. Tenho uma vaga lembrança de brincar com um filho dela, que certamente ela não tinha com quem deixar e levava pro trabalho. Eu devia ter uns 3 ou 4 anos, e ele 5 ou 6.

      Esse menino, inclusive, foi responsável pela primeira cena trágica que perseguiu meus sonhos. Ele havia sido atropelado perto de casa e, ao ouvir a D. Maria contando a trágica história e falando com voz muito embargada dos "miolinhos dele espalhados pelo asfalto", imediatamente desenhei essa imagem na cabeça, e demorou anos pra ser afugentada dali!

          Mas não era sobre a trágica morte do menino que eu queria falar (eu e minhas digressões...).

     O tema era "nomes e apelidos", certo?

     D. Maria chamava o menino de Carlim. Um dia (e o menino ainda era vivo!), lembrando minha mãe que a D. Maria tinha uma vez dito outro nome ao se referir ao garoto, perguntou qual era, na verdade, o nome dele.

     D. Maria corou e falou rápido... Minha mãe ouviu algo próximo de "aiserrau".

     Não entendendo, perguntou mais uma vez e a resposta foi algo próximo a "aiserrau" novamente.

     Minha mãe pensou que poderia ser uma brincadeira e perguntou pela terceira vez: - “Como?” e ouviu a mesma resposta. Concluiu então que deveria ser um nome que ela desconhecia.

     Ao ver o desconcerto da minha mãe, D. Maria, num desabafo, falou:

     - Ah D. Julimar, a gente lá em casa resolveu colocar um nome chique no menino, mas ninguém consegue falar! Aí nóis chama ele é de Carlim messs!

     - E de onde vocês tiraram esse nome complicado?

     - Diz meu marido que era o nome de um presidente nos estrangêro!

     Minha mãe balançou a cabeça e saiu.

     Um tempinho depois, ouve-se a risada alta dela!

      Ao ligar os pontos, minha mãe entendeu a homenagem que o marido da D. Maria havia feito: O Carlim tinha o nome de um antigo presidente dos EUA, o Sr. Dwight D. EISENHOWER!

     E até hoje, quando surgem os "causos" sobre nomes, nos lembramos com saudades da D. Maria... e do Carlim, lógico! (Ou deveria eu dizer do “Aiserrau”?)

     Que desacato, Marô!