Como boa mineira, minha avó amava observar o movimento da rua pela janela da sala da casa onde morava. Acho que aprendi com ela a me divertir com isso, apesar de ter sempre a sensação de que estou perdendo meu tempo ou que isso é coisa de quem não tem o que fazer! Parei pra pensar nisso dia desses e percebi que podemos tirar proveito da atividade! Mineiros não são bobos não! É gente esperta, que gosta de aprender com a vida!
Da janela do quarto onde durmo, vejo (e ouço) o parquinho do bairro. Uma regalia, diga-se de passagem, já que o comum por aqui é olhar pela janela e ver outras janelas... ou apenas paredes! Às vezes abro a janela, quando acordo, pra deixar o sol entrar e não é raro entrarem também várias vozes...
A da faxineira do prédio na segunda-feira de manhãzinha, junto com o barulho da mangueira de água na calçada (!!!) costumava me irritar um pouco, já que o que eu ouvia era aquela conversa de gente "intrigueira", antes mesmo de abrir a janela ou mesmo meus olhos: "Mas ela disse que ficou com raiva de mim e eu nem liguei. Disse que não tava nem aí pra ela! Quem mandou ela dar 'de cima' dele?". Mas essa faxineira já foi embora! Ufa! (E a atual é muito agradável!)
A voz de papais e mamães esbravejando um "não sobe aí que você vai cair", ou enaltecendo suas crias com um "muito bem, filha, que lindo!", ou ainda "como você é corajoso e forte!", ao ouvirem os insistentes, porém inocentes chamados de "mãe, olha! Olha pai!", o que, de algum modo, sempre aviva emoções dentro do peito, trazendo gostosas lembranças de quando eu levava minhas duas menininhas lindas e pequeninas ao parquinho. O que me faz pensar ainda que o tempo de fazer isso com meus netos não está mais tão distante! (E o coração até bate mais forte!)
Ouço também a voz meio sussurrada de homens e mulheres varrendo de um lado pro outro as folhas que, devagar, vão caindo das árvores, ou podando as plantas que insistem em se desenvolver com tanta rapidez, me envolvendo em suas conversas tão cotidianamente curiosas e mineiramente deliciosas!
Mas o mais gostoso é o vozerio das crianças! E aí não só ouço, como vou, algumas vezes, para o parapeito dar uma de "minha vó".
Uma escola pública aqui ao lado costuma levar as crianças pro parquinho na hora do recreio ou na aula de educação física. E as vozes costumam chegar ao segundo andar em tons e formas variadas, às vezes meio cochichadas, outras esbravejando, muitas vezes em gargalhadas ou até mesmo como choro. E aqui do alto já me flagrei sozinha também indignada, ou chorando, muitas vezes rindo ou dando gargalhas! Vou acompanhando uma ou outra vidinha numa rápida fração dos seus infinitos momentos e me sinto, de novo, privilegiada!
"Mariana, olha o que eu consigo!", grita Letícia; e Mariana se auto-desafiando desce também o morro correndo pra mostrar pra Letícia que ela também consegue... mas chega ao fim rolando, com dois joelhos ralados e muitas lágrimas no rosto! Mariana se compadece, mas Lucas começa a rir! Quase grito aqui do alto: "Lucas, que coisa feia!"
O professor grita: "Entenderam a brincadeira? Vamos começar o jogo então!". E aí a gente escuta os que não sabem perder gritando o tal "assim não vale" ou "vamos mudar de brincadeira, essa tá chata!".
Tem também as meninas que, brincando "de casinha", vão narrando seus papéis: "agora eu sou a mãe e você é a filhinha. Vou fazer comidinha pra você e você não vai querer comer..."
Ou os meninos conversando sobre os poderes mais legais de cada um dos seus super- heróis!
E foi numa dessas conversas de menino, o que por acaso me levou a escrever esse texto, que ouvi a voz mais engraçada e dei uma gostosa gargalhada.
O menino devia ter uns 5 ou 6 aninhos. Brincava com um amiguinho, cada um encarnando o seu personagem, e então ele diz: "Eu queria ser um monstro que peidasse toda hora!"
É possível que ele um dia realize seu sonho, mas enquanto isso não acontece, fico aqui da janela torcendo pra que ele vá amadurecendo e consiga lidar com a frustração de não poder ser, ainda, o Monstro peidorreiro!
Collatio é "compartilhar" em latim... esse blog nasce assim... da vontade de compartilhar! Simples assim.
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terça-feira, 18 de julho de 2017
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
Crianças... sempre elas! (1)
Anne amava brócolis.
Nesse tempo ela devia ter uns 3 aninhos.
Ao voltar da escolinha, sua mãe a viu entrando e perguntou toda contente:
"Anne, adivinha o que tem pro almoço hoje?"
Anne, sorrindo e com cara de expectativa, diz:
"Não sei mamãe. O quê?"
A mãe, instigando a filha, fala só a primeira sílaba, deixando que a menina complete:
"Bró..."
Anne, mais que depressa, completa, toda feliz:
"binha"!!!
************
Dominic tinha energia que não acabava mais. Nessa época devia ter uns 3 ou 4 anos.
Seu pai sempre foi muito paciente, tranquilo. Daquelas pessoas que custam a acender o estopim.
Nesse dia, porém, Dominic estava impossível e seu pai começou a ficar um pouco bravo.
Pediu ao menino algumas vezes para obedecê-lo, mas o menino insistiu na teimosia.
O pai, então, apelou para sua autoridade:
- "Dominic, o que que você tem que fazer agora pra não levar umas chineladas?"
Esperando do garoto a resposta mais óbvia, que seria "obedecer", foi surpreendido pelo menino que, sem pestanejar, disse:
- "Sair correndo!"
*************
Estava no ponto de ônibus com minha irmã mais nova. Ia levá-la para a escolinha.
O ponto estava cheio, devido ao horário.
E ela tagarelava sem parar, chamando um pouco a atenção de quem estava do lado.
De repente ela ficou em silêncio olhando pra cima.
Fiquei esperando pra ver o que estava por vir...
De repente ela fala na maior altura, chamando a atenção e fazendo rir quem estava mais perto:
"Marô, olha o aerobú brincando de roda no céu!"
Na mesma época, levei-a ao cinema para ver aquele filme da Disney, "Fantasia", um musical no qual o Mickey é o personagem principal. No filme toca música clássica o tempo todo e personagem nenhum fala. Ela não desgrudava os olhos da tela, acompanhando cada movimento do ratinho orelhudo. Já quase no final do filme, o Mickey toca no fraque do maestro e fala: -"Ei maestro!"
Carol deu um salto na cadeira do cinema, olhou pra mim com os olhos arregalados e gritou alto, num misto de susto e felicidade:
- "Ele fala!"
***********
Vovó Juli tinha ido passar uns dias conosco em Hannover.
Júlia estava numa fase de confundir muitas palavras em português e, por isso, saía com umas frases muito engraçadas.
No dia em que a vó foi embora, ela, na época com 4 aninhos, grita do banheiro:
- "Mãe, a vovó esqueceu o fedorante dela!"
Na mesma época, do banheiro ela grita:
- "Acabou o papel nogênico!"
Ela conhecia a mãe (esta que vos escreve) pelo apelido: Marô.
Ficou surpresa quando o pai me chamou de Maria Eugênia, meu nome de batismo, pelo qual eu não era conhecida nem pela própria filha!
Pediu para o pai repetir, e depois insistiu com ele que meu nome era ou "Malô" ou "Mamãe" e não esse grande!
Meu marido, alguns dias depois, pra implicar com ela, perguntou qual era o meu nome de verdade. Ela estava mais ou menos convecida, mas parou, pensou e respondeu toda orgulhosa, já que agora ela sabia:
- " Malia Higiênica!"
***********
Depois tem mais...
Nesse tempo ela devia ter uns 3 aninhos.
Ao voltar da escolinha, sua mãe a viu entrando e perguntou toda contente:
"Anne, adivinha o que tem pro almoço hoje?"
Anne, sorrindo e com cara de expectativa, diz:
"Não sei mamãe. O quê?"
A mãe, instigando a filha, fala só a primeira sílaba, deixando que a menina complete:
"Bró..."
Anne, mais que depressa, completa, toda feliz:
"binha"!!!
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Dominic tinha energia que não acabava mais. Nessa época devia ter uns 3 ou 4 anos.
Seu pai sempre foi muito paciente, tranquilo. Daquelas pessoas que custam a acender o estopim.
Nesse dia, porém, Dominic estava impossível e seu pai começou a ficar um pouco bravo.
Pediu ao menino algumas vezes para obedecê-lo, mas o menino insistiu na teimosia.
O pai, então, apelou para sua autoridade:
- "Dominic, o que que você tem que fazer agora pra não levar umas chineladas?"
Esperando do garoto a resposta mais óbvia, que seria "obedecer", foi surpreendido pelo menino que, sem pestanejar, disse:
- "Sair correndo!"
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Estava no ponto de ônibus com minha irmã mais nova. Ia levá-la para a escolinha.
O ponto estava cheio, devido ao horário.
E ela tagarelava sem parar, chamando um pouco a atenção de quem estava do lado.
De repente ela ficou em silêncio olhando pra cima.
Fiquei esperando pra ver o que estava por vir...
De repente ela fala na maior altura, chamando a atenção e fazendo rir quem estava mais perto:
"Marô, olha o aerobú brincando de roda no céu!"
Na mesma época, levei-a ao cinema para ver aquele filme da Disney, "Fantasia", um musical no qual o Mickey é o personagem principal. No filme toca música clássica o tempo todo e personagem nenhum fala. Ela não desgrudava os olhos da tela, acompanhando cada movimento do ratinho orelhudo. Já quase no final do filme, o Mickey toca no fraque do maestro e fala: -"Ei maestro!"
Carol deu um salto na cadeira do cinema, olhou pra mim com os olhos arregalados e gritou alto, num misto de susto e felicidade:
- "Ele fala!"
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Vovó Juli tinha ido passar uns dias conosco em Hannover.
Júlia estava numa fase de confundir muitas palavras em português e, por isso, saía com umas frases muito engraçadas.
No dia em que a vó foi embora, ela, na época com 4 aninhos, grita do banheiro:
- "Mãe, a vovó esqueceu o fedorante dela!"
Na mesma época, do banheiro ela grita:
- "Acabou o papel nogênico!"
Ela conhecia a mãe (esta que vos escreve) pelo apelido: Marô.
Ficou surpresa quando o pai me chamou de Maria Eugênia, meu nome de batismo, pelo qual eu não era conhecida nem pela própria filha!
Pediu para o pai repetir, e depois insistiu com ele que meu nome era ou "Malô" ou "Mamãe" e não esse grande!
Meu marido, alguns dias depois, pra implicar com ela, perguntou qual era o meu nome de verdade. Ela estava mais ou menos convecida, mas parou, pensou e respondeu toda orgulhosa, já que agora ela sabia:
- " Malia Higiênica!"
***********
Depois tem mais...
domingo, 27 de abril de 2014
Dente pra quê?
Da seção: "Causos de criança"
Em algum momento dos seus 5 anos, não me lembro exatamente quando, Lis, minha filha mais velha, perdeu os dentes da frente.
Toda vez que tinha um dente pra cair era um drama!
Ela chorava, gritava, falava muitas coisas gozadas no meio do desespero.
Uma vez, inclusive, minha vizinha, a Frau Hilbers, bateu na porta pra ver o que estava acontecendo, o que estávamos fazendo com a criança!!!
Até hoje não sei se ela acreditou que era apenas um dente (muito) mole!
Numa dessas ocasiões em que o pai tentava delicadamente tirar o dente que já estava praticamente solto, ela gritou repetidamente: "Eu queria que não existisse dente!!! Eu queria que não existisse dente!!!"
E eu e o pai, com muita paciência, argumentamos e perguntamos, usando um dos seus pontos fracos (ela amava - ama ainda - comer! rs): "E como é que a gente ia fazer pra comer, filha?"
Ainda aos prantos e sem pensar muito (o que não era muito típico), ela só berrou: "A gente comia só sopa!"
...............
Era outubro de 1999. Lis tinha 6 anos!
Morando na Alemanha, procurávamos, eu e meu marido, manter viva na memória das crianças, a lembrança de pessoas, ambientes e coisas que nos eram caras no Brasil, pra que, quando voltássemos, elas pudessem se sentir "em casa" e perceber familiaridade nessas coisas.
Descasquei laranjas depois do almoço, daquele jeito "com tampinha" e Lis e Júlia demonstravam terrível falta de intimidade com o fruto.
Eu, morrendo de rir, perguntei: "Gente, vocês esqueceram como se come laranja, é? Mete os dentões e chupa o suco!"
Lis na hora retrucou: (e nesse ponto da história sempre tenho que fazer pausa pra gargalhada!) - "Você esqueceu que eu não tenho dente?!!
...............
Em 30 de dezembro de 1999, registrei no diário da Lis:
"Seus dentões finalmente apareceram e agora a cada dia podemos ver como eles crescem! Você já está comendo - feliz - com eles!!!"
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Ela cuspiu!!!
Da seção: "causos de criança" :)
(Afinal, têm muita história essas minhas filhas...)Júlia, minha filha mais nova, é uma menina muito afetuosa e também muito divertida.
Algumas postagens atrás contei de como a Lis, minha filha mais velha, gostava de ver e ouvir as palhaçadas da Júlia pra poder rir à vontade, como ela gosta de fazer até hoje.
Aí vai uma das histórias da nossa Juju:
Estávamos no ano de 1999, em dezembro. Morávamos na cidade de Hannover, Alemanha. Júlia estava com quase 4 anos.
Dezembro na Alemenha - frio, neve, mas também uma atmosfera particular e aconchegante de Natal no ar!
Fomos convidados pelo orientador do meu marido, Herr Hau, pra lancharmos em sua casa. Sua esposa era uma delicadeza de pessoa, uma senhora muito amável e super talentosa.
Chegamos lá, conversamos um pouco e então nos sentamos à mesa pra lanchar. Frau Hau havia preparado um lugar todo especial para as crianças. Cada uma tinha o seu pratinho, com um presentinho ao lado confeccionado por ela, guardanapo com motivos natalinos infantis, uma canequinha de natal que elas também levariam pra casa de presente e ainda um pirulito de chocolate. Júlia ficou extasiada, olhando tudo aquilo com um brilho intenso nos olhos.
Se sentindo já bem à vontade (isso nunca demorava muito), Júlia começou a chamar Frau Hau pra cá, Frau Hau pra lá, até que Frau Hau sorriu, olhou pra ela e disse: "Meu nome é Heiwig, você não precisa me chamar de Frau Hau". Júlia sorriu de volta e adorou a observação, que a fez se sentir ainda mais à vontade... e Júlia à vontade nem sempre era algo muito seguro, por isso fiquei de olho!
Depois do lanche, Frau Hau serviu um bolo delicioso de maçã. Júlia comeu a primeira colherada, sendo acompanhada pelo olhar sorridente de sua "amiga" Heiwig que observava se ela iria gostar. Ficou com aquilo na boca... e eu pensei: "lá vem!". Júlia enrolou mais um pouco e desconfiei que estava querendo cuspir o pedaço de bolo e eu, com meu olhar apenas, "gritava" pra ela um "não faça isso!", mas não teve jeito... ela cuspiu aquela meleca no prato! E como se não bastasse, veio até mim, subiu no meu colo, segurou meu rosto com as duas mãos para que eu olhasse diretamente pra ela (e ela estava com uma cara de brava muito engraçada!) e disse: "Mãe, você NUNCA faz esse bolo lá em casa, tá?". Fiquei sem lugar e quando vi, a Lis estava com o olho arregalado, rosto vermelho, olhando pra mim como se dissesse: "E agora?". Achei que ela iria escorregar pra debaixo da mesa de vergonha da irmã!
Ainda assim, ao final da visita, Frau Hau deu pra cada uma um Papai Noel de chocolate enoooorme!
Se fosse eu, teria boicotado o Papai Noel de chocolate da Júlia!
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Filho é mesmo uma delícia...
No meu caso, filhas!
Vê-las indo assim, a caminho da vida, criando outros laços, ultrapassando algumas fronteiras, estabelecendo outras, elaborando de forma independente o mundo ao redor delas, causa em mim dúbios sentimentos... e é nesses momentos que cultivo essa saudade gostosa que, creio, toda mãe vivencia. Saudade de quando elas eram menores e a gente tinha que estar mais por perto... e vou relembrando as histórias...
Uma vez, naqueles momentos "família", Lis (com 7 ou 8 anos) e eu estávamos morrendo de rir das palhaçadas da Júlia, que tinha uns 4 ou 5 anos. Quando olhei pra Lis ela já estava chorando de tanto rir, se divertindo com a irmã. Daí, ao recuperar o fôlego, me disse: "Ai mãe! Quando eu tiver uma filha quero que seja igual a Júlia!"
Singelo, não?
Vê-las indo assim, a caminho da vida, criando outros laços, ultrapassando algumas fronteiras, estabelecendo outras, elaborando de forma independente o mundo ao redor delas, causa em mim dúbios sentimentos... e é nesses momentos que cultivo essa saudade gostosa que, creio, toda mãe vivencia. Saudade de quando elas eram menores e a gente tinha que estar mais por perto... e vou relembrando as histórias...
Uma vez, naqueles momentos "família", Lis (com 7 ou 8 anos) e eu estávamos morrendo de rir das palhaçadas da Júlia, que tinha uns 4 ou 5 anos. Quando olhei pra Lis ela já estava chorando de tanto rir, se divertindo com a irmã. Daí, ao recuperar o fôlego, me disse: "Ai mãe! Quando eu tiver uma filha quero que seja igual a Júlia!"
Singelo, não?
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