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terça-feira, 3 de abril de 2018

Férias de novo!

(escrito em janeiro de 2018)

     Estou de férias!
     Ultimamente não sei bem o que isso significa de verdade, dado o fato de estar trabalhando por conta própria e envolvida apenas com alguns projetos pessoais, sem hora certa pra começar ou terminar, sem responsabilidades perante outros que não eu mesma e meu dia-a-dia em casa.
     Mas é fato,estou de férias, já que o marido está e muitos à minha volta também!
     Vivendo um outro contexto anos atrás, publiquei um pequeno texto aqui (Férias! - nesse link ou logo abaixo do texto) que demonstra bem o que seria férias pra mim naquele momento.
     Algumas poucas coisas mudaram... a casa virou apartamento, por isso a porta deve permanecer fechada e a paisagem da janela não raro é uma outra janela de um outro apartamento; mas tem o parque também, que me permite ver o verde pela janela e de onde ouço o alarido das crianças brincando!
     Os vizinhos mudaram de nome e hábitos - são gente de bem, mas gente de cidade grande, não vêm à minha casa pra tomar café e bater papo espontaneamente."Hay que invitar"!!!
     Os doces... tive que reduzir, não sem tristeza e muita resistência.
     O relógio... continua correndo com o tempo e eu, no momento, sempre contando as horas pros momentos felizes, que ainda incluem poder dormir sem hora pra acordar! 
     O Ler descompromissadamente aumentou de tamanho, mas compromissadamente também está valendo!
     O ócio criativo está cada vez mais ócio!
     E agora mais da metade do ano é meio "férias" mesmo!
     Aproveitando aqui as "pausas da vida", enquanto é tempo!
     Boas férias pra você também!

     Férias!
No verão gosto de me fazer cúmplice da displicência inofensiva e amiga.
Portas e janelas abertas...
Café com pão à tarde...
Vizinho que chega sem avisar pra bater papo...
Biscoitos, doces... muitos doces!!!!
Não olhar no relógio pra acordar... nem pra dormir...
Ler descompromissadamente...
Desfrutar do ócio criativo...
Acho que pelo menos metade do ano poderia ser férias!!!! 

segunda-feira, 12 de março de 2018

Recolhendo as vivências

     Relendo um texto antigo (Corriqueirices), talvez com algo de indecifrável para alguns, percebo meus dias, minha "corriqueirice" em BH, a simpática capital mineira.
     Tive que me mudar pra cá há exatos quatro anos - 28 de janeiro de 2014.
     Para algumas coisas, a percepção é de que um minuto não tem mais 60 segundos e sim uns 52 talvez! Já faz QUATRO anos!!!
     Para outras coisas, porém, me vejo com ar surpreso e acrescento "Só tem quatro anos???"
     Em quatro anos formei e casei uma filha e acompanhei a outra no seu desenvolvimento de uma estudante de ensino médio, se tornando quase uma profissional, já pra terminar seu curso de direito.
     Senti (e sinto) saudade delas TODOS OS DIAS!!!
     Perdi dois grandes amigos do mundo animal, os quais tive inclusive que deixar pra trás quando nos mudamos (e o coração ainda estremece com a lembrança!).
     Deixei a sala de aula do Ensino Médio, acho que pra sempre!
     Li várias coisas que sempre quis ler!
     Troquei empregada/amiga de 11 anos por faxineira de 15 em 15 dias, depois de passar um ano tentando sozinha ser a heroína da casa!
     Viajei dentro e fora, pra dentro e pra fora!
     Fui mais a médicos e dentistas!
     Frequentei hidroginástica e pilates e fiz caminhadas na Av. José Cândido (essas últimas poderiam ter sido mais frequentes! rsrs)
     Depois de mais de 30 anos, consegui realizar o sonho de, novamente, ter uma cachorrinha dentro de casa! Presente do dia das mães de 2015 e consolo para o ninho vazio! Lola, uma Shitzu preta e branca, companheirinha de todas as horas, que alegra muito meus dias!
     Recebi amigos, ainda que poucos ou menos do que de costume! Senti saudades (muitas) de outros!
     Conheci algumas (poucas) pessoas.
     Casei a irmã mais nova, com muita emoção e chororô!
     Vi as filhinhas da minha vizinha crescerem, aprenderem a andar e falar.
     Frequentei bem menos do que imaginei a tão antes por mim cobiçada feira hippie.
     Fui há alguns shows e programas envolvendo pessoas e história do "Clube da Esquina", que faz parte de mim desde a adolescência! Bela vivência!
     Estudei e li menos do que gostaria, mas mais do que poderia antes de vir pra cá!
     Aprendi a fazer crochet!!!
     Comecei algumas empreitadas, como aprender a costurar, mas não continuei (por enquanto! Tenho fé!).
     Tive um órgão importante de mim extirpado, aliás, o mesmo órgão que me permitiu gerar as duas coisas mais preciosas da minha vida.
     Sofremos a dor da perda.
     Sofremos a dor de ver os pais envelhecendo e enfrentando o peso dos anos e, em algumas ocasiões, virando criança outra vez...
     Conheci e tenho desfrutado da comunhão na Igreja Batista da Redenção -  a Redê (menos do que gostaria!) e nos "Grupos nos Lares", com uma turma que aprendi a amar muito!
     Escrevi mais... mas o desejo é escrever muito mais!
     Planejei muito, realizei nem tanto!
     Me apropriei mais de algumas coisas e me desfiz de vários pesos também!
     São tantos dias, tantas coisas!
     E a vida vai acontecendo...
     Na verdade, não tenho nada de especial a dizer... só isso mesmo; recolhendo as vivências! E alio a elas um versículo que diz realmente mais que o texto acima:
"Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio." (Sl 90.12)
(Texto escrito em 28.01.2018)

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Quando há sequidão

De repente e propositalmente a corpulência esmaga o organismo!
O barulho era como o crepitar do fogo.
Sensação de regozijo.
A compleição física sentia prazer no que agora estava sob ela.
O que era inteiro tornou-se em pedaços... 
Vários, desiguais, golpeados irremediavelmente.
O organismo nunca mais seria inteiro, nunca mais teria a mesma forma,
Não mais existiria assim que o vento soprasse.
Tudo porque, após o tombo natural do ciclo,
A seiva que abastecia a vida não chegava mais...


Pisei numa folha seca!


terça-feira, 19 de setembro de 2017

"Bóra", que a borra corrobora!


Acorda pra fazer o café, Maria!
Acorda, que o dia já vem!
Senta, faz-me companhia.
O cheiro é bom, o gosto também!

Cheiro de aconchego, gosto de vida por vir...

Acorda pra fazer o café, Maria! 
Acorda que a tarde aí está!
O dia segue duro, e verte
Um cheiro de lida no ar...  

Gosto de lida extenuada!

Acorda pra fazer o café, Maria!
Acorda, que a noite já vem!
Traz um gosto de descanso, 
dissipando o descaso de alguém!

Cheiro de mágoa mitigada!

E corrobora a borra do café.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Isso é Minas!

     Ah, as Minas Gerais!
     O bairro é calmo e não completamente invadido por prédios. Muitas casas ainda, daquelas de família mineira, com varanda que antes dava pra calçada e onde "as gentes" sentavam e olhavam o movimento, mas onde hoje tem muro que atrapalha, com portões altos que dão a ilusão de segurança.
     Passeava com a cachorra e passei por um desses portões altos e na fechadura, pelo lado de fora, vi uma chave pendurada. Cheguei perto pra ter certeza e resolvi bater a campainha. Ninguém atendeu. Insisti, tocando outra vez. Ninguém respondeu. Atravessei a rua em direção ao salão de beleza em frente à casa... quem sabe ali não conhecessem os donos da casa e pudessem guardar a chave?
     Ainda não havia chegado na outra calçada, quando ouvi o portão se abrindo. Voltei-me  para o portão e sorri. A senhora do lado de dentro olhou meio sem entender.
     - Desculpe incomodar, mas é que vi essa chave (e apontei) aí do lado de fora do portão e achei que seria melhor avisar.
     A senhorinha olhou com olhar desentendido:
     - Mas como assim? Eu não entendo porque essa chave está aqui. O que será que aconteceu? Por que minha irmã não pegou a chave e nem trancou o portão?
     - Pois é, às vezes a gente esquece mesmo! Resolvi avisar porque já aconteceu comigo algumas vezes e sei a aflição que dá.
     - É até perigoso, né? Como você se chama?
     - Maria.
     - E eu me chamo Lúcia!
     - Olá, D. Lúcia!
     - Você é daqui mesmo?
     - Mais ou menos. Moro aqui há 4 anos.
     - Eu morei a vida toda aqui. Me casei e vim pra cá. Criei meus filhos e meus netos nessas ruas aqui.
     - É um bairro gostoso, né?
     - Eu gosto. Minha irmã mora aqui nessa casa. Depois que a gente envelhece é muito bom ter a família por perto. Minha outra irmã mora em Carangola. A gente se vê só de vez em quando.
     - Que bom que uma das irmãs mora pertinho, né?
     - É um pulinho da minha casa! Bom demais!
     Um momento de silêncio, ajeito na mão a coleira da cachorra, olho pra D. Lúcia e faço menção de me despedir pra continuar a caminhada.
     - Maria, Você sabe aquele prédio grande da esquina?
     - Ah! Aquele prédio? Sei... (claro que não sabia!)
     - Pois é, eu moro naquela casa grande ao lado. Aparece lá pra gente tomar um café! Eu gostei de você!
     Sorri:
     - Claro! Apareço sim! Boa tarde, D. Lúcia.
     - Boa tarde, Maria. Deus lhe pague! Muito obrigada pela gentileza!
     Claro que nunca apareci na casa da D. Lúcia pra tomar café, mesmo porque não tenho noção alguma de onde mora D. Lúcia, mas aquele "passa lá pra tomar um café!" me trouxe um enorme aconchego interno.
     Isso é Minas!

terça-feira, 18 de julho de 2017

E pela janela, vozes...

    Como boa mineira, minha avó amava observar o movimento da rua pela janela da sala da casa onde morava. Acho que aprendi com ela a me divertir com isso, apesar de ter sempre a sensação de que estou perdendo meu tempo ou que isso é coisa de quem não tem o que fazer! Parei pra pensar nisso dia desses e percebi que podemos tirar proveito da atividade! Mineiros não são bobos não! É gente esperta, que gosta de aprender com a vida!
     Da janela do quarto onde durmo, vejo (e ouço) o parquinho do bairro. Uma regalia, diga-se de passagem, já que o comum por aqui é olhar pela janela e ver outras janelas... ou apenas paredes! Às vezes abro a janela, quando acordo, pra deixar o sol entrar e não é raro entrarem também várias vozes...
     A da faxineira do prédio na segunda-feira de manhãzinha, junto com o barulho da mangueira de água na calçada (!!!) costumava me irritar um pouco, já que o que eu ouvia era aquela conversa de gente "intrigueira", antes mesmo de abrir a janela ou mesmo meus olhos: "Mas ela disse que ficou com raiva de mim e eu nem liguei. Disse que não tava nem aí pra ela! Quem mandou ela dar 'de cima' dele?". Mas essa faxineira já foi embora! Ufa! (E a atual é muito agradável!)
     A voz de papais e mamães esbravejando um "não sobe aí que você vai cair", ou enaltecendo suas crias com um "muito bem, filha, que lindo!", ou ainda "como você é corajoso e forte!", ao ouvirem os insistentes, porém inocentes chamados de "mãe, olha! Olha pai!", o que, de algum modo, sempre aviva emoções dentro do peito, trazendo gostosas lembranças de quando eu levava minhas duas menininhas lindas e pequeninas ao parquinho. O que me faz pensar ainda que o tempo de fazer isso com meus netos não está mais tão distante! (E o coração até bate mais forte!)
     Ouço também a voz meio sussurrada de homens e mulheres varrendo de um lado pro outro as folhas que, devagar, vão caindo das árvores, ou podando as plantas que insistem em se desenvolver com tanta rapidez, me envolvendo em suas conversas tão cotidianamente curiosas e mineiramente deliciosas!
     Mas o mais gostoso é o vozerio das crianças! E aí não só ouço, como vou, algumas vezes, para o parapeito dar uma de "minha vó".
     Uma escola pública aqui ao lado costuma levar as crianças pro parquinho na hora do recreio ou na aula de educação física. E as vozes costumam chegar ao segundo andar em tons e formas variadas, às vezes meio cochichadas, outras esbravejando, muitas vezes em gargalhadas ou até mesmo como choro. E aqui do alto já me flagrei sozinha também indignada, ou chorando, muitas vezes rindo ou dando gargalhas! Vou acompanhando uma ou outra vidinha numa rápida fração dos seus infinitos momentos e me sinto, de novo, privilegiada!
     "Mariana, olha o que eu consigo!", grita Letícia; e Mariana se auto-desafiando desce também o morro correndo pra mostrar pra Letícia que ela também consegue... mas chega ao fim rolando, com dois joelhos ralados e muitas lágrimas no rosto! Mariana se compadece, mas Lucas começa a rir! Quase grito aqui do alto: "Lucas, que coisa feia!"
     O professor grita: "Entenderam a brincadeira? Vamos começar o jogo então!". E aí a gente escuta os que não sabem perder gritando o tal "assim não vale" ou "vamos mudar de brincadeira, essa tá chata!".
     Tem também as meninas que, brincando "de casinha", vão narrando seus papéis: "agora eu sou a mãe e você é a filhinha. Vou fazer comidinha pra você e você não vai querer comer..."
     Ou os meninos conversando sobre os poderes mais legais de cada um dos seus super- heróis!
     E foi numa dessas conversas de menino, o que por acaso me levou a escrever esse texto, que ouvi a voz mais engraçada e dei uma gostosa gargalhada.
     O menino devia ter uns 5 ou 6 aninhos. Brincava com um amiguinho, cada um encarnando o seu personagem, e então ele diz: "Eu queria ser um monstro que peidasse toda hora!"
     É possível que ele um dia realize seu sonho, mas enquanto isso não acontece, fico aqui da janela torcendo pra que ele vá amadurecendo e consiga lidar com a frustração de não poder ser, ainda, o Monstro peidorreiro!