Eu era pequena, mas me lembro bem. Tínhamos uma não sei se
faxineira ou empregada na época, a D. Maria. Tenho uma vaga lembrança de
brincar com um filho dela, que certamente ela não tinha com quem deixar e
levava pro trabalho. Eu devia ter uns 3 ou 4 anos, e ele 5 ou 6.
Mas não era sobre a trágica morte do menino que eu queria falar (eu e minhas digressões...).
O tema era "nomes e
apelidos", certo?
D. Maria chamava o menino de
Carlim. Um dia (e o menino ainda era vivo!), lembrando minha mãe que a D. Maria tinha uma vez dito outro
nome ao se referir ao garoto, perguntou qual era, na verdade, o nome dele.
D. Maria corou e falou
rápido... Minha mãe ouviu algo próximo de "aiserrau".
Não entendendo, perguntou mais uma vez e a resposta foi algo próximo a "aiserrau" novamente.
Minha mãe pensou que poderia ser uma brincadeira e perguntou pela terceira vez: - “Como?” e ouviu a mesma resposta. Concluiu então que deveria ser um nome que ela desconhecia.
Ao ver o desconcerto da minha
mãe, D. Maria, num desabafo, falou:
- Ah D. Julimar, a gente lá em
casa resolveu colocar um nome chique no menino, mas ninguém consegue falar! Aí
nóis chama ele é de Carlim messs!
- E de onde vocês tiraram esse
nome complicado?
- Diz meu marido que era o nome
de um presidente nos estrangêro!
Minha mãe balançou a cabeça e
saiu.
Um tempinho depois, ouve-se a
risada alta dela!
E até hoje, quando surgem os "causos" sobre nomes, nos lembramos com saudades da D. Maria... e do Carlim, lógico! (Ou deveria eu dizer do “Aiserrau”?)
Que desacato, Marô!
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