segunda-feira, 28 de abril de 2014

"Receita pra lavar palavra suja"

Gostei!
E porque é sobre a "palavra", que eu tanto prezo, aqui publico o link!
O vídeo é um poema de Viviane Mosé. Depois do vídeo, tem um texto também interessante de Ines Cozzo.
Divirta-se!
http://vimeo.com/79616935

domingo, 27 de abril de 2014

Dente pra quê?

Da seção: "Causos de criança"


Em algum momento dos seus 5 anos, não me lembro exatamente quando, Lis, minha filha mais velha, perdeu os dentes da frente.
Toda vez que tinha um dente pra cair era um drama!
Ela chorava, gritava, falava muitas coisas gozadas no meio do desespero.
Uma vez, inclusive, minha vizinha, a Frau Hilbers, bateu na porta pra ver o que estava acontecendo, o que estávamos fazendo com a criança!!!
Até hoje não sei se ela acreditou que era apenas um dente (muito) mole!
Numa dessas ocasiões em que o pai tentava delicadamente tirar o dente que já estava praticamente solto, ela gritou repetidamente: "Eu queria que não existisse dente!!! Eu queria que não existisse dente!!!"
E eu e o pai, com muita paciência, argumentamos e perguntamos, usando um dos seus pontos fracos (ela amava - ama ainda - comer! rs): "E como é que a gente ia fazer pra comer, filha?"
Ainda aos prantos e sem pensar muito (o que não era muito típico), ela só berrou: "A gente comia só sopa!"
...............
Era outubro de 1999. Lis tinha 6 anos!
Morando na Alemanha, procurávamos, eu e meu marido, manter viva na memória das crianças, a lembrança de pessoas, ambientes e coisas que nos eram caras no Brasil, pra que, quando voltássemos, elas pudessem se sentir "em casa" e perceber familiaridade nessas coisas.
Descasquei laranjas depois do almoço, daquele jeito "com tampinha" e Lis e Júlia demonstravam terrível falta de intimidade com o fruto. 
Eu, morrendo de rir, perguntei: "Gente, vocês esqueceram como se come laranja, é? Mete os dentões e chupa o suco!"
Lis na hora retrucou: (e nesse ponto da história sempre tenho que fazer pausa pra gargalhada!) -  "Você esqueceu que eu não tenho dente?!!
...............
Em 30 de dezembro de 1999, registrei no diário da Lis:
"Seus dentões finalmente apareceram e agora a cada dia podemos ver como eles crescem! Você já está comendo - feliz - com eles!!!"

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ela cuspiu!!!

Da seção: "causos de criança"  :)

(Afinal, têm muita história essas minhas filhas...)

     Júlia, minha filha mais nova, é uma menina muito afetuosa e também muito divertida.
Algumas postagens atrás contei de como a Lis, minha filha mais velha, gostava de ver e ouvir as palhaçadas da Júlia pra poder rir à vontade, como ela gosta de fazer até hoje.

     Aí vai uma das histórias da nossa Juju:

     Estávamos no ano de 1999, em dezembro. Morávamos na cidade de Hannover, Alemanha. Júlia estava com quase 4 anos.
     Dezembro na Alemenha - frio, neve, mas também uma atmosfera particular e aconchegante de Natal no ar!
     Fomos convidados pelo orientador do meu marido, Herr Hau, pra lancharmos em sua casa. Sua esposa era uma delicadeza de pessoa, uma senhora muito amável e super talentosa.
     Chegamos lá, conversamos um pouco e então nos sentamos à mesa pra lanchar. Frau Hau havia preparado um lugar todo especial para as crianças. Cada uma tinha o seu pratinho, com um presentinho ao lado confeccionado por ela, guardanapo com motivos natalinos infantis, uma canequinha de natal que elas também levariam pra casa de presente e ainda um pirulito de chocolate. Júlia ficou extasiada, olhando tudo aquilo com um brilho intenso nos olhos. 
     Se sentindo já bem à vontade (isso nunca demorava muito), Júlia começou a chamar Frau Hau pra cá, Frau Hau pra lá, até que Frau Hau sorriu, olhou pra ela e disse: "Meu nome é Heiwig, você não precisa me chamar de Frau Hau". Júlia sorriu de volta e adorou a observação, que a fez se sentir ainda mais à vontade... e Júlia à vontade nem sempre era algo muito seguro, por isso fiquei de olho!
     Depois do lanche, Frau Hau serviu um bolo delicioso de maçã. Júlia comeu a primeira colherada, sendo acompanhada pelo olhar sorridente de sua "amiga" Heiwig que observava se ela iria gostar. Ficou com aquilo na boca... e eu pensei: "lá vem!". Júlia enrolou mais um pouco e desconfiei que estava querendo cuspir o pedaço de bolo e eu, com meu olhar apenas, "gritava" pra ela um "não faça isso!", mas não teve jeito... ela cuspiu aquela meleca no prato! E como se não bastasse, veio até mim, subiu no meu colo, segurou meu rosto com as duas mãos para que eu olhasse diretamente pra ela (e ela estava com uma cara de brava muito engraçada!) e disse: "Mãe, você NUNCA faz esse bolo lá em casa, tá?". Fiquei sem lugar e quando vi, a Lis estava com o olho arregalado, rosto vermelho, olhando pra mim como se dissesse: "E agora?". Achei que ela iria escorregar pra debaixo da mesa de vergonha da irmã!
     Ainda assim, ao final da visita, Frau Hau deu pra cada uma um Papai Noel de chocolate enoooorme!
    Se fosse eu, teria boicotado o Papai Noel de chocolate da Júlia!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Bombril ou bolinha de gude?

(Inspirado num causo de infância do amigo Ehud.)

     A cidade era pequena e, naquele tempo, a gente podia ver os meninos brincando alegremente na rua. Naquele tempo também, os armazéns tinham o nome dos donos e a gente costumava dizer: vai ali no armazém do Zé, do Juca... ou simplesmente "vai lá no Juca".
     O menino tinha uns 9 ou 10 anos.
     Era levado, "traquina" diria meu avô, mas costumava ser obediente.
     - Deco, vai ali na venda do seu Jovino pra mim? - gritou a mãe lá da cozinha.
     Deco que, com desinteresse, olhava da varanda o cachorro fuçando a terra no quintal, sem vontade de ir lá brincar com ele, logo se levantou e foi ao encontro da mãe.
     - Comprar o quê, mãe?
     - Bombril, meu filho. Tenho que arear a frigideira do torresmo de ontem e queria também ver se limpava o ferro. Ah! Traz vela também, assim limpo o ferro direito.
     - No seu Jovino tem vela??
     - Claro! É um armazém! Tem tudo!!! - e sorriu
     O garoto pensou:
     - Bolinha de gude nunca tem!
     E emendou com voz disciplinada, pegando as duas notas da mão da mãe:
     - Bombril e vela, né? Posso ficar com o troco?
     - Isso mesmo, bombril e vela e nada de ficar com troco não senhor, pois tenho que comprar pão pro lanche da tarde.
     O menino colocou as duas notas no bolso e saiu andando tranquilo pelo quintal, fez um chamego no cachorro e alcançou o portão que ficava nos fundos. Por ali o caminho era um pouco maior, já que ele tinha que dar a volta na rua, mas como ele não tinha mesmo o que fazer, ia se divertindo olhando "as gentes" pelo caminho.
     Ao dobrar a esquina da rua de trás, ele viu de longe os moleques jogando bolinha de gude no campinho. Um sorriso se desenhou em seus lábios e ele até começou a andar mais rápido em direção ao campinho... bolinha de gude era o seu fraco!
     Parou ali observando, e Maneco gritou:
     - Entra aí, Deco!
     - Tô sem boleba nenhuma, Maneco!
     - Tem problema não, te arranjo algumas!
     - Então tá, tô dentro!
     E ali ficou o garoto, com o Maneco e outros meninos, dando peteleco e mais peteleco nas bolinhas de gude e capturando todas elas. Ele era mesmo muito bom naquilo! No final, estava com os bolsos cheios de bolinhas de gude!!!
     Alguns dos meninos, desanimados e sem muitas bolinhas, foram se dispersando e daqui a pouco as mães gritavam por cada um deles para irem pra casa almoçar.
     E depois de tanto peteleco, a fome bateu mesmo! Deco tomou o rumo de casa, não sem antes devolver as bolinhas que Maneco lhe cedera.
     Chegou em casa todo entusiasmado com suas novas bolinhas de gude!
     Entrou pela frente, atravessou a sala e a copa e, ao ver a mãe na cozinha, perguntou:
     - E o almoço, mãe, sai ou não sai?
     - Uai, menino, cadê o bombril e a vela? E que demora foi essa?
     Ele olhou pra ela com susto e fez aquele ar encabulado:
     - O bombril e a vela? Não trouxe não... mas olha o tanto de boleba que eu ganhei!
     Tirou as bolinhas do bolso e as duas notas estavam emboladas ali junto.
     A mãe, já imaginando o que teria acontecido, pergunta:
     - E não trouxe porquê? Tá em falta no seu Jovino?
     E o menino, com certo constrangimento na voz:
     - Mãe, eu me distraí de novo! Nem fui no seu Jovino. Fiquei tão empolgado com as bolinhas de gude que eu ganhei... Eu esqueci! Desculpe, eu não cumpri a minha missão!
     A mãe achou gozado aquele jeito de falar do menino e retrucou:
     - É Deco, sua missão não era mesmo jogar bolinha de gude! Mas deixe estar... depois do almoço você vai lá e cumpre a sua missão direitinho. Mas dessa vez vai pela rua da frente pra não ter que passar pelo campinho. Vai que você se distrai de novo, né?


terça-feira, 22 de abril de 2014

Fuçando papéis velhos, sempre se acha algo "novo"...

   
 Recentemente me mudei de cidade... nesse processo tive que praticar o "desapego", deixar muita coisa pra trás e me desfazer de tantas outras. "Né fácil não", mas necessário e com um "sopro de nova vida" acalentando o coração.
Bem, nessa arrumação e desarrumação toda, achei um monte de bobagens que escrevia... de algumas ri muito, ri da ingenuidade, da imaturidade, da falta de jeito! Com outras chorei (não muito!), ao lembrar de momentos que já tinham ficado pra trás! Outras não valiam mesmo a pena... foram pro lixo. Aí me lembrei de Adélia (a Prado!), em certa entrevista, falando algo que vou agora parafraseando (e interpretando) por não me lembrar exatamente as palavras, mas sim o que ficou no coração: algumas vezes não é bom ficarmos burilando demais as palavras, pois isso acaba não transmitindo o sentimento que está lá dentro se contorcendo para vir para fora, assim espontâneamente mesmo, ainda que pareça  (ou de fato seja) de pouca qualidade literária. É o sentimento...
Bem, me apegando a essa desculpa, reproduzo um "poema", novo pra mim por não ter tido mais lembrança alguma dele, e de qualidade literária talvez duvidosa, mas com um sentimento intenso de inconformismo e busca, que me reportaram a um tempo interessante... naquele momento o sentimento veio, enfim, pra fora deixando a alma mais serena.
Aí vai (e sem qualquer "burilamento"! rsrs)

Querendo ser quem não sou
Meto os pés pelas mãos
Piso pegadas alheias
Dou passos que não são meus
Caminho errante...

Querendo ser quem não sou
Perco batalhas vencendo-as
Defendo convicções que não tenho
E com tanto ardor!

Falo
        Penso
                   Sou
                          Canto
                                    Persigo        quem sou...
Quem sou?
Diga-me "Eu sou"!


domingo, 2 de março de 2014

Desapegando... amadurecendo...

(pra filha mais velha, num momento de separação)

Cronicidade
Silvana Pinheiro

http://www.youtube.com/watch?v=OS27wU-Q9bQ


Vejo você remexer a areia

Pega a pá da forma mais improvável
Tenta encher o balde
Grãos lhe escapam
Demora
No entanto isso não lhe incomoda
O aborrecimento é meu
Remexo impaciências e vontade de lhe segurar a mão
E ajudá-la a conter as partículas ali
Afinal, é assim que se aprende
Fazendo com alguém hoje
Pra fazer sozinha amanhã
Mas não é momento pra isso
Este instante é seu
É tempo de digitalizar trajetos
O meu é de lhe deixar
Não traçar fins
E contemplar seu crescimento
Conter meus grãos sem deixá-los entornar e
Atrapalhar o que está acontecendo...
Contecendo... tecendo... sendo...

Ao ouvir ontem esse poema da Silvana, meus olhos marejaram...

E hoje, ouvindo mais uma vez, chorei!
Traduz bem o meu sentimento nesse momento com relação à você.
Filha, meu amor por você não tem tamanho!!!
Tenho em mim um misto de sentimento, mas certo é que tenho contemplado seu crescimento, seu amadurecimento, com muita alegria no coração.
Ver você tecendo o seu futuro, dando seus próprios passos com determinação e fé, fé no mesmo Deus que me deu você (que, junto com sua irmã, são os presentes mais preciosos que Ele poderia pensar em me dar!), me enche de orgulho e alegria, mas também fica aquela pontinha de melancolia...
Minha menina cresceu e vai trilhando seu caminho por conta própria agora!
Vai, filha!
E que os vínculos se transformem, porém se fortaleçam!
Vai minha menina, "este instante é seu... o meu é de lhe deixar, não traçar fins e contemplar seu crescimento, conter meus grãos...".
Aconteça... conteça... teça... seja!!!
Te amo sempre, te amo sem tamanho!
Mamãe (chorando muito :,) rsrs)

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Tombinho à-toa!

(diria a direção do filme: baseado em fatos reais... rs)

    Eu estava lá em cima, meio reclusa, tentando manter meu silêncio interno pra relaxar e fazer minhas orações quando escuto aquele estrondo... é... porque não foi apenas um barulho!
    Pulei da poltrona e desci as escadas correndo... aliás, nem tanto, pois as pernas não obedecem mais tão instantaneamente aos comandos do cérebro!
    A cena era hilária e trágica... Naninha com a bunda enfiada na armação de madeira da mesinha de canto e o vidro da mesa todo quebrado em volta dela!
    Fiquei, por alguns segundos, tentando imaginar como ela tinha conseguido aquela façanha! Fiz mil contas e esbocei vários itinerários pra tentar entender COMO... como ela tinha ido parar ali!
    Naninha era mestre na arte do tombo. Isso todo mundo já sabia, mas ela ultimamente estava conseguindo se superar na criatividade!
    Voltei à cena e, primeiro, parei pra ver se havia sangue! (Sim, porque se tem sangue, a coisa se configura na escala do "parece grave" até "é grave de verdade"!).
    Percebi um ou outro corte leve na mão esquerda mas, milagrosamente, Naninha parecia inteira, com todos os seus 84 quilos enfiados ali naquele pequeno espaço de 0,6m x 0,6m...
    - Naninha do céu, o que aconteceu? - perguntei. - Como você conseguiu isso? Você consegue sair daí?
    Ela me olhou, com o olhar ainda meio perdido e disse meio agoniada:
    - Me tira daqui!
    A vontade de rir veio quase que incontrolável. Me contive! Não era hora, certo?
    Peguei suas mãos e puxei Naninha do jeito que consegui... a cena que se seguiu foi ainda mais inacreditável! Naninha sentiu uma fisgada no pequeno corte da mão e puxou meu braço... eu desequilibrei e caí em cima dela, batendo o supercílio na quina do armado de madeira... aí entrei na escala do "parece grave" até "é grave de verdade", pois o sangue começou a escorrer lento e quente sobre os meus olhos!
Eu ainda tonta com a dor no corte, tentando mais uma vez entender o que estava acontecendo, ouço Naninha inquieta embaixo de mim:
    - Sai de cima de mim! Me tira daqui! E que ninguém apareça pra ver a gente nessa situação ridícula!
     Consegui levantar minha cabeça e aí foi que Naninha viu o desastre! Se apiedou e começou a gritar:
    - Meu Deus! Hoje é dia das tragédias! Rosa, ô Rosa, cadê você? A Fiica tá se esvaindo em sangue aqui! Roooooosa! Me ajuda!!!!
    - Pára de ficar gritando no meu ouvido, Naninha! Me deixa levantar daqui e vê se não faz corpo mole pra ver se eu te tiro daí!
    - Pára você, Fiica! Vocês está se esvaindo em sangue! (e a voz era no tom dramático das novelas!). Ô Rooooooosa!
    Rosa apareceu "abaforida" e, quando viu a cena, se desesperou e saiu gritando:
    - Seu Nôno, ô seu Nônooooooooooo, acode aqui!!! Aquelas duas estão embrulhadas no sangue e a gente nem sabe dizer quem machucou quem! Seu Nônoooooo!
     Eu tinha que sair dali  e tirar a bunda da Naninha daquele buraco antes do Nôno entrar pela porta... a história ia ser a sensação do Natal daquele ano caso Nôno visse a cena! Passei as costas da mão no olho, limpei um pouco do sangue e me levantei (não sem algum esforço!). Naninha resmungava por baixo de mim...
     - Duas mulé véia desse jeito tendo que passar por uma coisa dessa! Era só o que me faltava!
     A vontade que eu tive foi de juntar as bochechas dela e dizer:
     - Nada disso estaria acontecendo se você não tivesse tido a brilhante ideia de enfiar a sua bunda, não sei porque cargas d'água, nessa pobre mesa de canto!
     Me contive! Naninha era desastrada e sofria por isso! Tinha sempre um ou mais roxos em algum lugar do corpo. Quando cozinhava, sempre se queimava... ou a comida. Já fazia algum tempo que eu não deixava ela lavar o banheiro... por duas vezes ela escorregou e a coisa poderia ter sido trágica; e esse seu jeito lhe rendia todas as chacotas por parte de todos da casa.
     Já de pé, aprumada, tentei mais uma vez puxar Naninha. O supercílio latejava e não parava de sangrar. Naninha se mexeu e conseguiu, depois de um movimento brusco e muito esfolar de pele, tirar a bunda da armação, apoiou os pés e consegui, então, puxá-la no seu primeiro impulso. Era vidro pra tudo quanto é lado!
    Salva Naninha, agora era vez de ver o supercílio... neste momento entra Nôno e Rosa...
    - Ué? Cês já saíram do bololô? - retrucou Rosa.
    Nôno passou os olhos ao redor, olhou pra mim e disse:
    - Você está sangrando! Que que houve aqui?
    E Naninha, então, disparou a rir e disse:
    - Dois tombinhos à-toa, Nôno! Mas o da Fiinha foi muuuuuito pior! Leva ela lá pra dar ponto, vai!
    E saiu caminhando no seu passo tão lacônico quanto o resumo da história. Virou pra trás e acrescentou:
    - Eu só queria matar a mosca que estava lá em cima, no vidro da janela. É mosca do berne... nojenta!
    E uma moscou pousou no meu nariz!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

É manhã...

Um amigo, um sofá, um chá e algumas palavras.
Poucas... somente as necessárias.
E as mais íntimas vão sendo colocadas numa folha de papel, em forma de oração!

sábado, 17 de agosto de 2013

Arrogância?

Permita-me publicar aqui um texto com o qual me identifiquei... ok, ok, não totalmente, mas em grande parte!!! :)

A arrogância segundo os medíocres

“Adorei o seu sapato”, disse uma amiga para mim certa vez.
“Legal, né? Eu comprei em uma feira de artesanato na Colômbia, achei super legal também”, eu respondi, de fato empolgada porque eu também adorava o sapato. Foi o suficiente para causar reticências  quase visíveis nela e no namorado e, se não fosse chato demais, eles teriam dado uma risadinha e rolariam os olhos um para o outro, como quem diz “que metida”. Mas para meia-entendedora que sou, o “ah…” que ela respondeu bastou.
Incrível é que posso afirmar com toda convicção que, se tivesse comprado aquele sapato em um camelô da 25 de março, eu responderia com a mesma empolgação “Legal, né? Achei lá na 25!”. Só que aí sim eu teria uma reação positiva, porque comprar na 25 “pode”.
Experiências como essa fazem com que eu mantenha minhas viagens em 13 países, minha fluência em francês e meus conhecimentos sobre temas do meu interesse (linguística, mitologia, gastronomia etc) praticamente para mim mesma e, em doses homeopáticas, comente entre meu restrito círculo familiar e de amigos (aquele que a gente conta nos dedos das mãos).
Essa censura intelectual me deixa irritada. Isso porque a mediocridade faz com que muitos torçam o nariz para tudo aquilo que não conhecem, mas que socialmente é considerado algo de um nível de cultura e poder aquisitivo superior. E assim você vira um arrogante. Te repudiam pelo simples fato de você mencionar algo que tem uma tarja invisível de “coisa de gente fresca”.
Não importa que ele pague R$ 30 mil em um carro zero, enquanto você dirige um carro de mais 15 anos e viaja durante um mês a cada dois anos para o exterior gastando R$ 5 mil (dinheiro que você, que não quer um carro zero, juntou com o seu trabalho enquanto ele pagava parcelas de mil reais ao mês). Não importa que você conheça uma palavra em outra língua que expressa muito melhor o que você quer falar. Você não pode mencioná-la de jeito nenhum! Mas ele escreve errado o português, troca “c” por “ç”, “s” por “z” e tudo bem.
Não pode falar que não gosta de novela ou de Big Brother, senão você é chato. Não pode fazer referência a livro nenhum, ou falar que foi em um concerto de música clássica, ou você é esnobe. Não ouso sequer mencionar meus amigos estrangeiros, correndo o risco de apedrejamento.
Pagar R$200 em uma aula de francês não pode. Mas pagar mais em uma academia, sem problemas. Se eu como aspargos e queijo brie, sou “chique”. Mas se gasto os mesmos R$ 20 (que compra os dois ingredientes citados) em um lanche do Mc Donald’s, aí tudo bem. Se desembolso R$100 em uma roupa ou acessório que gosto muito, sou uma riquinha consumista. Mas gastar R$100 no salão de cabeleireiro do bairro pra ter alguém refazendo sua chapinha é considerado normal. Gastar de R$30 a R$50 em vinho (seco, ainda por cima) é um absurdo. Mas R$80 em um abadá, ou em cerveja ruim na balada, ou em uma festa open bar… Tranquilo!
Meu ponto é que as pessoas que mais exercem essa censura intelectual têm acesso às mesmas coisas que eu, mas escolhem outro estilo de vida. Que pode ser até mais caro do que o meu, mas que não tem a pecha de coisa de gente arrogante.
O dicionário Aulete define a palavra “arrogância” da seguinte forma:
1. Ação ou resultado de atribui a si mesmo prerrogativa(s), direito(s), qualidade(s) etc.
2. Qualidade de arrogante, de quem se pretende superior ou melhor e o manifesta em atitudes de desprezo aos outros, de empáfia, de insolência etc.
3. Atitude, comportamento prepotente de quem se considera superior em relação aos outros; INSOLÊNCIA: “…e atirou-lhe com arrogância o troco sobre o balcão.” (José de Alencar, A viuvinha))
4. Ação desrespeitosa, que revela empáfia, insolência, desrespeito: Suas arrogâncias ultrapassam todo limite.
Pois bem. Ser arrogante é, então, atribuir-se qualidades que fazem com que você se ache superior aos outros. Mas a grande questão é que em nenhum momento coloco que meus interesses por línguas estrangeiras, viagens, design, gastronomia e cultura alternativa são mais relevantes do que outros. Ou pior: que me fazem alguém melhor que os outros. São os outros que se colocam abaixo de mim por não ter os mesmos interesses, taxar esses interesses de “coisa de grã-fino” (sim, ainda usam esse termo) e achar que vivem em um universo dos “pobres legais”, ainda que tenham o mesmo salário que eu. E o pior é que vivem, mesmo: no universo da pobreza de espírito.

sábado, 16 de março de 2013

Colecionando sorrisos

 (título plagiado da Lilisa!)

Hoje colecionei alguns sorrisos quando caminhava sob o sol fraquinho da manhã...
Minha filha mais nova me emprestou o i-pod pra caminhada... sorri ao perceber que ela tem uma pasta com MEU nome no i-pod DELA! :)
Na caminhada, sorri ao ouvir Bob McFerrin cantar Bob Marley - "... In every life we have some trouble. When you worry you make it double. Don't worry, be happy!"
Sorri ao me lembrar que meu marido chega hoje de viagem, depois de uma semana ausente,  e cheio de saudades e de novidades sobre seu CD!
Sorri também quando me peguei meio que nem aquela velhinha linda que dançava livre, leve e solta ao som de sua música preferida!
Sorri ao ver meu querido amigo Marquinhos no supermercado, quando lá passei pra comprar pão - afinal nada melhor do que um café com pão e manteiga! - e também ao escolher a batata, lembrando que vou comer o MEU purê no almoço! Yees!
E sorri ainda ao achar, lá no mercado mesmo, uma tesoura de frango (excelente!) como presente para a Lorena, que tem seu chá de panela hoje... não vou precisar mais sair de casa de manhã!
Já em casa, sorri ao ver, depois de anos, minha filha mais velha sentada ao piano tocando Bach! E sorri com vontade!!!!
Sorri ao beber meu café SENTADA, comendo meu pão com manteiga e lembrando com saudades da casa da minha vó!
Sorri ao ouvir, por meio do blog de um amigo, o Tim Maia cantando ao vivo "é primaveeeeeeera... te amo!", "ee eeeeeeu, gostava tanto de você-êê!", e também dizendo que ia parar de comer (!) e agradecendo seu vocal pela voz! Figura, esse Tim Maia!
Sorri ao perceber que a asinha de frango já estava temperada... era só colocar no forno!
Sorri quando a filha mais velha ligou dizendo que além do Luan, namorado da mais nova, a Cela e o Bruno também vinham almoçar! Saudades da Cela sumida!
E, apesar de o tênis de caminhada novo ter ficado pequeno com a palmilha ortopédica e o fio do fone da Juju ter agarrado na marcha do carro quando fui abrir a porta e ter arrebentado, constato mais uma vez que "é mesmo o simples que me faz sorrir!"

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Amanhã o corpo dirá!

 (ou "do dia em que eu resolvi me aventurar depois dos 45!")

(Em 23 de janeiro de 2013)

A irmã disse que eu precisava me aventurar, que era tranquilo, só tinha mulher com mais de quarenta, naquela fase em que a gente decide fazer o que quer e bem entende pra desopilar o fígado e ser feliz, e que o povo diga o que quiser...


Pois é, eu acreditei! E lá fui eu, principalmente para estar mais tempo com ela, vencendo aquela preguiça de sair de casa, creio eu que também parte da fase (a dos "quarenta", lembra? rs). Só me esqueci de dois detalhes, talvez bem importantes no momento: um que eu desisti do ballet com 4 anos de idade, quando mal havia começado, e dois que naquela mesma época a irmã prosseguiu e se tornou bailarina profissional...


Tranquilo! 

Tranquilo? 
Tranquilo... para bailarinas aposentadas, talvez! :)

Lição do dia: antes de acreditar que algo é "tranquilo", nunca deixe de avaliar contextos e circunstâncias,  principalmente se a situação envolver "performances" x idade!


Não sei se a coisa é pra rir ou pra chorar,  mas serviu para que eu percebesse definitivamente ("demorô", hein?!!) que minha flexibilidade não é, nem de loooonge, mais a mesma, e nem meu cérebro funciona mais com a mesma agilidade para memorizar em tão pouco tempo tantas sequências de movimentos como quando eu, como toda boa adolescente dos anos 80, fazia nas minhas aulinhas de jazz.


O marido ligou no final da aula e contei,  toda feliz: "acabei de fazer uma aulinha de ballet" (ou metade dela!)... e ouço uma "pergunta exclamativa" do outro lado: "Ballet?!!"... E o tom da voz foi suficiente para que eu começasse a pensar, não sem uma certa apreensão, qual seria o resultado da tal aventura!


Amanhã o corpo dirá... e aí eu conto pra vocês! ... rs


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ser livre!

A gente conquista uma porção significativa e deliciosa da liberdade do SER (o verbo mesmo, e não o substantivo) quando a gente aprende e se permite rir de nós mesmos... ainda mais quando estamos acompanhadas de irmãs bobas e igualmente livres! RÁ!



sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Fragmentos

(escrito em 17 nov 2010 - 7 meses antes dela falecer)


     Ô Maria, Ô Maria, Ô Maria Antonieta... seu pai saiu de casa, sua mãe tocou trombeta!
     Sai daqui menina, pára de me pertubar!
     Sai de dentro dessa máquina! Máquina de costura não é brinquedo!
     Enfia a linha na agulha aqui pra mim, minina?
     Sai de cima do telhado!!! Vocês vão se esburrachar no chão e abrir a testa!
     Quem tirou minha pinça do lugar?
     Pega aquele troço ali pra mim.
     Cê já ouviu aquela do Neca Venâncio?
     Vocês me deixam doida! DOOOIDA!!!
     AAAHHHHHHHHHH! Que isso?? Terapia do grito!
     Deixa só seu avô ver isso!
     Samambaia é mato!!! Não sei o que seu avô vê nisso!
     Pára de limpar a boca na toalha! Tá igual seu avô!
     Deita aqui com a vovó, vem! Pára de chorar!
     Por que você descartou esse oito? Isso é um oito de COPAS!
     Pega o telefone no varal aí pra mim!
     Cê já cagô hoje? kkkkkk
     Aquele minino, filho do... como é que ele chama? Que era vizinho da... aquela que costurava pra fora, você não lembra dele não?
     Só você que sabe espremer esse cravo em mim. Quando você não tá aqui ele fica enooorme!
     Ó o meu nariz de bruxa, ó! Sua irmã tem o nariz igual ao meu!
     Ah! Vai cagá, minina! Que coisa enjoada!
     Aqui, me conta uma coisa... 
     E você lá sabe lavar copo?
     Xiii, essa daí tá igual a Maria Pena!
     Deixa a 'Ita' trabalhar em paz!
     Sai dessa cozinha! Vão brincar lá fora!
     Tá com fome? Vai na rua do João Gomi, mata um homi e comi!
     Vem comeeeeeer, cambada!
     Quer pão frito?
     Vai lá no Zé buscar pão fresco. Traz duas bisnagas. Tá bom, pode comprar chiclete com o troco.
     O café tá na meeeeesa!!!     
     Fiz pudim de leite moça pra você!
    "Num i não hein!" - Você falava assim com a vovó quando você era pequenininha, quando eu ria de você cantando.
     E o namorado? E ele é bonitinho? Me conta!
     Isso é hora de chegar em casa?
     Gata brava! Você é uma gatinha brava!
     Quer um mingauzinho da vovó?
     Vovó fez sopinha de macarrão com feijão pra você. Cê qué?
     Ô Maria Eugênia, cê já tomô café?
     Não sei porque essa cisma. Maria Eugênia é nome de rainha... muito melhor do que Maria Antonieta!

É...
Acho que tô com saudade da minha vó!!!

















quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Filho é mesmo uma delícia...

  No meu caso, filhas!
  Vê-las indo assim, a caminho da vida, criando outros laços, ultrapassando algumas fronteiras, estabelecendo outras, elaborando de forma independente o mundo ao redor delas, causa em mim dúbios sentimentos... e é nesses momentos que cultivo essa saudade gostosa que, creio, toda mãe vivencia. Saudade de quando elas eram menores e a gente tinha que estar mais por perto... e vou relembrando as histórias...

  Uma vez, naqueles momentos "família", Lis (com 7 ou 8 anos) e eu estávamos morrendo de rir das palhaçadas da Júlia, que tinha uns 4 ou 5 anos. Quando olhei pra Lis ela já estava chorando de tanto rir, se divertindo com a irmã. Daí, ao recuperar o fôlego, me disse: "Ai mãe! Quando eu tiver uma filha quero que seja igual a Júlia!"
Singelo, não?





segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"Meninos, eu ri!"


"Meninos, eu ri!!!" (como diz minha irmã Tati, reportando-se a um antigo apresentador). Simplesmente porque é a minha cara isso! kkkkkkk
Traduzindo:
"Você conhece a sensação de acordar cedo de manhã, estar descansado e cheio de energia pra viver? Não se preocupe... eu também não!"
Gente, olha a cara dele!!!! Não consigo parar de rir!!! kkkkkkk

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Casa Mineira

Casa mineira, velha, cheia de gente.
Delícia de família!
Delícia estar em família!
Ditim passa correndo. Candoca grita:
- Mãããããe, já cabeeeeei!!!
Zilá sai correndo pra limpar a filha, mas aflita pra não perder nenhum pedaço do caso de Toinha.
- Ô Toinha, peraí! Já tô voltanu! Quero saber tudo tintim por tintim!
E Candoca grita de novo:
- Ô mãããe, vem looooogo!!! Meu bumbum já tá duenu de ficá aqui sentada!
Ditim passa correndo de novo, dessa vez no meio das nossas pernas, e logo atrás vem o Marquim fazendo cara de monstro e falando grosso "eu vô ti pegáááá!"; e a cada fala grossa, um grito agudo do menino!
Vovó dá sinal de vida.
- Fica quietu mininu! Que diacho! Pára com essa correria! Num tá venu que a Toinha tá contanu um caso?!
E o menino "nem aí", some de novo pela porta do quintal com Marquim atrás que, graças a Deus, já dá sinal de cansaço. O menino? Esse tem fôlego que dura até ninguém mais ter cabeça!
- Num sei que agitação é essa que esse mininu arruma! Santo Deus! Parece que tem furmiga na bunda! - e Zilá suspira olhando o menino pra lá e pra cá; traz no colo Candoca, que olha o irmão e morre de rir!
- Mãããe, Ditim caiu!
Toinha tem que interromper o caso de novo por causa do grito do menino, que agora berra que nem bezerro desmamado:
- Mããããããe, maaaaaaaaaachuquei meu machucaaaaaaado!!!
Zilá, já rendida, corre pra socorrer o garoto, e sua voz vai sumindo:
- É Toinha, depois cê mi conta u caso ôtra veiz! Lá vai eu ficá sem sabê como o Candim finalmente consertou o rádio... eu nunca fico sabenu o final das história.
Vovó sorri e diz:
- È só fase, minha filha! Daqui a pouco é ocê que tá contanu us caso e eles é que vão tá correnu atrás dos seus neto... liga não!
É... vovó mais uma vez tem razão! E no fundo, no fundo, tudo isso é mesmo uma "dilícia"!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Desistir?


"Desistir? Eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça."

Cora Coralina

Tô aqui, meio quebrada por dentro, tantando internalizar as palavras da grata Cora!

E vem à mente o texto de Lamentações 3.21 (na Bíblia): "quero trazer à memória o que me pode dar esperança".
Não... não é por mim (somente)... é pelos pequeninos desse mundão de Deus, tão desamparados, à mercê dessa trupe de sabichões e desonestos que não têm escrúpulos... é pelos injustiçados que não têm armas pra lutar contra essa corja toda... é pelos meninos e meninas que estão crescendo achando que passar os outros pra trás é normal, que é "estratégia de defesa", achando que se expor e ser "pop" é ser aceito...

Divagações...

E esse fim de semana ouvi, providencialmente: "Olhe para cima... e depois sim, olhe para baixo... e aí volte a olhar para cima"!!!

E seguimos, com o coração mais leve, contemplando o azul do céu e a sublimidade de quem me dá esperança!!!


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Óculos pra quê?

"Tava"aqui pensando...
Para enxergar mais nítido, muitas vezes é preciso distância... (e que me desmintam os terapeutas!).
Mas é possível que só entendamos de verdade essa realidade quando o avanço dos anos nos obrigam a ficar amigos dos "óculos", aqueles mesmo que a gente nunca sabe onde deixou... 
Essa verdade já comprovam os meus olhos... e por que não a minha alma? 
Aliás, será que ela também já está usando óculos??!!
Acho que estou precisando trocar as minhas lentes... rs
Divagaaaaando...
Bom dia a todos! (com óculos... acabei de achá-los!)

sábado, 31 de dezembro de 2011

Férias!

No verão gosto de me fazer cúmplice da displicência inofensiva e amiga.
Portas e janelas abertas...
Café com pão à tarde...
Vizinho que chega sem avisar pra bater papo...
Biscoitos, doces... muitos doces!!!!
Não olhar no relógio pra acordar... nem pra dormir...
Ler descompromissadamente...
Desfrutar do ócio criativo...
Acho que pelo menos metade do ano poderia ser férias!!!!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Referências...

Minha mãe me ensinou a observar as coisas simples
e nelas perceber beleza e sensibilidade!!!

Valeu, D. Juli!!!
Te amo!